UM PRESENTÃO DE DEUS

 

Conceda-te o desejo do teu coração e leve a efeito todos os teus planos. Saudaremos a tua vitória com gritos de alegria e ergueremos as nossas bandeiras em nome do nosso Deus. Que o Senhor atenda todos os teus pedidos! Sl. 20:4-5
 


No inicio do ano. Num bate papo express na sala dos professores, brinquei com o prof.  Marcelo de matemática: Um dia vou ser rica como você e comprar um  notebook. Ele deu risada e disse: - E eu vou  comprar um Celta Preto! Num  outro dia, disse pra ele: - Mudei de idéia. Não vou querer mais notebook, tem muito ladrão em SP... quero investir numa viagem, é algo mais sólido.. Vou juntar dinheiro para ir à Europa. Um mochilão. Em seguida,  comecei a pesquisar preço de viagens, ler tudo sobre mochilões na Europa, albergues, passagens áerea. Desanimei. Pelo meus cálculos ficaria por baixo uns 23 mil reais para mim e família. Desisti da idéia, pois iria ter que trabalhar anos e mais anos e talvez com sorte na terceira idade (rsrsrs).

Passou alguns meses. Esqueci deste bate papo na sala dos professores. Mas penso que Deus ouviu e resolveu dar um presente para mim...

Sexta feira 13 (de julho de 2007)

Aniversário de Dedé, meu filho mais novo. A noite tinha festa surpresa para ele na casa da avó. Era 17h e eu estava tentando terminar um faxinão na minha casa. Telefone toca. Os meninos atendem. Era alguém da Telefônica. Eu estava com uma pressa danada, mas a educação manda atender.  Era a Naiá, falando que eu tinha ganhado um concurso da Telefônica. Opa!!! Vamos ver que tipo de arte eu tinha aprontado desta vez. Sim... Realmente eu tinha feito uma imagem (se quiser vê-la, clique aqui) para participar do  Campus Party há um tempo atrás e enviado para Telefônica.Tinha até me esquecido. Nunca havia ganhado nada em concurso. Ela perguntou se meu passaporte estava ok, pois iria para a Espanha no dia 21/07/2007 e retornaria dia no dia 29/07/2007. Prontamente disse sim. Ela me passou algumas instruções e pediu para eu encaminhar um fax do meu passaporte e do meu acompanhante, na segunda-feira, sem falta. Ao desligar o telefone, fiquei pulando e gritando de alegria e os meninos também. Fui procurar meu passaporte que nunca fora usado. Seria minha primeira vez. Para minha decepção, ele havia vencido em 2006. A alegria transformou-se em desespero. Ganhei uma viagem e não tinha um passaporte.
Naquela noite,  na festinha do Dedé, quase nem comi e não conseguia parar de pensar no passaporte.  Eu conversei  com meu sobrinho que havia tirado passaporte recentemente e ele me disse que o processo era fácil, fácil. Em 15 dias ficaria pronto.  Quase desmaiei. 15 dias? Eu precisava de um para segunda feira. E quem me acompanharia? Minha irmã ficou toda ouriçada, mas quando foi ver o passaporte dela, também estava vencido. Meu marido, que chegou mais tarde, disse que iria, depois reconsiderou que estava numa terrível fase de implantações e não tinha condições de tirar uma semana de licença. O Dedé falou pro Felipe, meu filho mais velho: - A mãe deveria levar você, porque eu não quero ir. Penso que Deus já estava agindo aí para não gerar aquelas imparcialidades.



Uma semana de agonia
Quase não dormi a noite. Fiquei pensando em mil e uma formas de conseguir um passaporte. Orei e me deparei com este Salmo.Conceda-te o desejo do teu coração e leve a efeito todos os teus planos. Saudaremos a tua vitória com gritos de alegria e ergueremos as nossas bandeiras em nome do nosso Deus. Que o Senhor atenda todos os teus pedidos! Sl. 20:4-5. Senti como uma resposta de Deus e fiquei mais tranqüila, pois sabia que Deus ia levar efeito todos os teus planos, porém  decidi fazer minha parte. Fiquei sabendo que o Dedé sugeriu que o Felipe fosse comigo. Bom sinal, não iria contrariar ninguém.  Passei o final de semana inteiro na internet pesquisando tudo sobre viagem, passaporte, policia federal, viagem com menores, etc... Por fim, descobri que existia um tal passaporte de emergência, que ficava pronto em 24 horas. Era mais caro, emitido somente para situações catastróficas. Pensei: - Será uma catástrofe na minha vida ganhar uma viagem e não poder ir (rs). Era este que tentaria tirar. Preenchi o formulário pela internet, imprimi autorizações. Redigi uma carta explicando minha situação e na segunda feira pela manha dirigi-me a Policia Federal na Lapa. Descobri no orkut, uma moça que estava em situação semelhante a minha. Nos encontramos na fila, em plena 5 horas da madrugada. Choveu muito naquele dia. Ficamos encharcados e congelados, é claro. Às 8 horas iniciou o atendimento. Fui falar com a chefa da policia federal e  solicitar uma guia para pagar o passaporte emergencial. Tentei explicar minha situação. Ela não quis nem me ouvir. Disse que eu era turista e isto não era emergência. Que eu tirasse o passaporte normal e que “rezasse” pra ficar pronto na sexta-feira e nem quis me atender mais, embora ainda tentasse insistir, mas não teve jeito.
Eu tinha as guias do passaporte normal comigo, então decidi tentar assim mesmo. Fui correndo pagar em um caixa eletrônico. Tentei desesperadamente pagar, mas a máquina não conseguia ler os códigos de barra. Tentei digitar os códigos, mas não conseguia, o desespero era maior. Não podia esperar o banco abrir, pois corria o risco de não conseguir mais senhas para naquela segunda feira. Avistei na agencia um funcionário, que às vezes penso que era um anjo. Eu toquei o interfone e ele prontamente veio nos atender, conseguiu fazer para nós os pagamentos da guia no caixa eletrônico. Corri até a policia federal. Era 9:30,  e ainda havia senha. Às vezes, penso também que aquela chuva que tanto nos incomodou foi providencia de Deus para que o pessoal se desanimasse em tirar passaportes naquele dia, com aquele toró.
Enfim... 12:30 fomos atendidos. Orei para que Deus colocasse no nosso caminho alguém bem legal. Assim aconteceu. Expliquei pro atendente minha situação e ele disse para eu não me preocupar que provavelmente quinta-feira à tarde, estaria disponível o passaporte, já que estava tirando-o na segunda-feira. Fiquei mais aliviada. Só que para meu desespero, ele nem iniciou o processo de emissão do nosso passaporte, mas saiu para almoço e foi substituído por outra pessoa. Expliquei novamente minha situação. O atendente torceu o nariz como dissesse que só na data do protocolo, ou seja, 24 de julho. Não falei mais nada e ele concluiu todo procedimento para tirar o passaporte.

Mandei um e-mail para a Naia pedindo para esperar o passaporte até sexta-feira e um fax com os protocolos do passaporte, RGs e autorização de viagem. Retornei para casa esgotada. Dormi no sofá assistindo os jogos pan-americanos e acordei com o celular tocando. Era a Naiá. Tremi na base, pois achei que ela não iria esperar a documentação até a véspera da viagem. Ela disse: - o protocolo que me enviou é para dia 24 de julho, e a saída dia 21/07. Não está certo. Eu respondi: - mas se eu te entregar na sexta feira, vocês podem esperar? Ela disse: - claro que sim. Respirei aliviada. Senti Deus no controle. Fizera a minha parte. Tinha fé que Ele iria agilizar este passaporte.
 

Quinta feira chegou. É lá fui eu para a Policia Federal. Entreguei os protocolos, logo imaginando que o pessoal ia chiar porque estava alguns dias adiantada. Eles nem olharam. Demorou alguns minutos e lá estavam os passaportes tão sonhados. O meu e o do Felipe. Nem acreditamos ao pegar aquelas cadernetinhas azuis. Meu marido ficou admirado. E louvamos a Deus por causa daquela graça.


Prontamente mandei o fax do passaporte para a Naiá e ela me disse: - parabéns! Você é uma guerreira! E daqui para frente foi só alegria.

 



Rumo à Espanha!


No sábado, 21/07/2008, meu marido nos levou à estação do Paraíso, de onde sairia um ônibus que nos levaria até o aeroporto de Cumbica. No aeroporto pudemos fazer amizade com o grupo de 60 brasileiros que iriam ao Campus Party.

Enfim, pegamos o vôo para Madrid. Viajamos pela Pluna – empresa uruguaia. No nosso vôo tinha o pessoal que ganhou o concurso e seus acompanhantes e também jornalistas de diversos meios de comunicação.

A viagem foi longa. Dez horas de vôo. Não consegui dormir... acho que foi a ansiedade. Foi um vôo tranqüilo, porém fico imaginando que o sentimento da maioria era o seguinte: - O que nos espera em Valencia?

O avião pousou em Madri. Nenhuma bagagem se perdeu e nossos passaportes foram carimbados. Pude deslizar no esteirão do aeroporto de Madrid. E ao sair dele pude contemplar o céu azul límpido com um sol reluzente. Botei meus pés da Europa. É bom ter os pés em terra firme.


 


Hoje é domingo, o dia é tão lindo!

Fomos recepcionados pelo nosso “padrinho mágico” – Guilherme, que estaria responsável em conduzir o Grupo a Feria de Valencia, local onde seria realizado o Campus Party. Até então a Naiá era a nossa padrinha, ops, madrinha mágica. Ela passou o bastão pro Guilherme. Na verdade, a Telefônica contratou os serviços da ArtPlan  para viabilizar a ida dos brasileiros ao Campus Party .

Subimos no ônibus para Valencia. Foram 3 horas de viagem. Estava cansada... minhas pálpebras insistiam em se fechar e eu relutava com elas. Queria ver tudo. Construções, povo, vegetação, paisagem. Constatei que na área rural, a terra é muito bem aproveitada. Quase não vemos terra sem plantações como no Brasil. Fiquei admirada com as imensas plantações de girassóis que dão um tom dourado de prosperidade. Pequenas árvores verdejantes: Eram as oliveiras. Muitas e muitas delas. Os moinhos de vento – grandes e pequenos – uma infinidade deles, gerando energia. Era uma paisagem com cara de Europa.

Fizemos uma paradinha na estrada. Íamos almoçar na Feria de Valencia, mas eu e o Felipe estávamos com fome, ou curiosos... Desembolsei alguns euros (9.50), por dois lanches sem graça. Doeu meu pobre bolso brasileiro que recebe em reais.

Chegamos a Feria de Valencia. Local enorme que eles disponibilizam para realizar eventos da cidade, com uma imensa infra-estrutura. Era tão grande, que os organizadores se locomoviam de segway (aquele carrinho de duas rodas, parecido um patinete gigante movido à eletricidade)
A TV Espanhola aguardava com ansiedade os brasileiros que iam participar do Campus Party. O Felipe deu até entrevista para a TV Espanhola no dia seguinte. Pois era o mais novo “chico” brasileiro a participar do evento. A Globo que se cuide.


 


Validamos nossa inscrição e recebemos a nossa casa. Uma barraca do tipo iglu – Google, 1 saco de dormir, lençóis, fronha, travesseiro. Recebemos também uma mochila da telefônica com camiseta, caneta, lanterna, adesivos e encartes promocionais.

 


Em seguida subimos para o pavilhão 3 para almoçar. O local é imenso e quase me perdi no dia seguinte. Depois me acostumei, mas era grande mesmo. Uma paella com frutos do mar nos aguardava. Teve brasileiro que chiou. Queria o tal arroz com feijão. Aí também já é demais, né? Para mim tudo era festa... então curti aquele pratão de arroz amarelo com um empanado de jamon e fanta limão (vocês já viram isto no Brasil?). A fome ajudou e comi quase tudo.

Como fomos os primeiros a chegar e o evento iria se iniciar somente no dia seguinte, às 22 horas, resolvemos explorar as intermediações. Vimos onde pegava o ônibus, metrô, tranvia. A tarde estava bem gostosa e andamos bastante, embora fosse domingo e estava tudo bem deserto.

Era 21:30 da noite e nada do dia escurecer. Descobri que no verão só escurecia lá pelas 22:00. E de manhã? 7:00 já está tudo clarinho. Que dia comprido, né?

Não dormi, desmaiei naquela minha barraca e só acordei no dia seguinte. Que delicia poder dormir. O pessoal reclamou pra caramba do saco de dormir. Confesso que nem senti nada, pois o cansaço era intenso... mas a Telefônica, no dia seguinte nos deu colchão de ar. Isto foi uma perdição, porque no dia seguinte nem queria mais levantar de tão gostoso que é dormir naquilo.
 



Explorando o Inexplorado

Na segunda feira resolvi sair com o grupo para o Centro de Valencia, pois a Feria fica meio distante da região central. Lotamos um coletivo e lá fomos nós com o Guilherme. Fiquei meio entediada. Não sou muito fã de grandes grupos, tipo as ovelhinhas em bando. Então resolvi dar um perdido (claro que o Guilherme já tinha autorizado isto). Então nos desgarramos do grupo e fizemos o nosso próprio roteiro ali no centro. Andamos muito pelas ruas da cidade, compramos cartão de ônibus (é mais econômico). Fomos à feira, enfim um lugar mais barato para vender roupas, porque os shoppings são caríssimos. Fomos ao mercado municipal. Almoçamos no Burger King e pegamos um tal Ônibus de turista para conhecer Valencia. Tinha um microfone que a gente punha na orelha e ouvia tudo a respeito do lugar onde estávamos e o melhor: tinha desde o japonês até o português - 8 idiomas, que maravilha, estava em casa. Só que, de repente parou de vir as informações. Mudei para versão em espanhol. Esta funcionava perfeitamente e as demais também. Que discriminação! Só porque somos brasileiros (rsrsr). Enfim, consegui conhecer os pontos turísticos, história e etc...em espanhol... rsrsrs... Descemos num determinado ponto para visitar um museu, mas por ser segunda feira, demos com a cara na porta, estava fechado. Decidimos ir à praia.

Segundo meu mapinha, para ir a praia era necessário pegar o  tranvia. É tudo muito estranho, porque não tem catraca, cobrador, não tem guarda. Na estação só pessoas e a máquina de bilhetes. Depositamos a moeda na máquina, colocamos a nossa opção e ele devolveu tudo. Atravessamos a linha do trem para tentar na outra máquina e nada. Pedimos ajuda para algum passageiro. E certificamos que as três maquinas estavam com problemas. Entrei no tranvia, esperando achar algum cobrador e nada. Estava assustada, pois não tinha os bilhetes, mas gravei bem o nome da estação: Era a Pont de Fusta. Nada aconteceu. Descemos na Lês Arenes que era o local da praia. Fomos à praia,  Hiper lotada naquela segundona. O Felipe entrou na água. Eu fiquei descansando, bebendo água e sorvete. Hora de voltar. Naquela estação a máquina estava funcionando. Comprei os bilhetes e fiquei com eles na mão, caso aparecesse o maquinista ou sei lá o que... novamente nada. Achei muito estranho este sistema. Sem catracas, sem cobradores, sem guichês, sem guardas, só passageiros. Mas, enfim, descobri o esquema. A gente compra 1 bilhete com 10 unidades. Passa em uma maquininha menor que carimba o dia e a hora. No caso de fiscalização você apresenta comprovando que está ok. Achei prático depois de conhecer e entender o esquema. O tranvia foi a nossa condução, pois passava pertinho do Campus Party. O circular também, mas este demorava mais, então preferia pegar o tranvia pois já tinha o meu bilhete.

Um dia, conversando com um senhor espanhol no ônibus, questionei sobre os transportes, sobre catracas, segurança e ele disse uma frase que me marcou: - Precisa ter amor no coração!
É bem por aí. Só o amor é capaz de ajudar a construir uma sociedade íntegra e honesta.

Sabe... às vezes me sinto como Calebe. Eu não tenho medo de explorar. É algo gostoso, aquele lance de adrenalina. Criei meus próprios passeios. Montei meus roteiros. Dei minhas cabeçadas. É interessante. Quando a gente não conhece a terra é tudo tão obscuro. A língua é uma grande barreira. Os lugares. Os meios de transporte. Dava a  impressão que nunca iríamos chegar, mas sempre chegávamos lá. Sabia que Deus estava conosco nos ajudando. É claro... perguntávamos, ou melhor, eu sempre pedia pro Felipe perguntar, pois o espanhol dele está uma belezinha. E assim íamos desbravando tudo e chegando onde queríamos chegar.
 


Campus Party - Valencia

Ainda na segunda-feira, à noite, foi a abertura oficial do Campus Party. Não posso deixar de registrar a coisa linda que coisa aquele show. Primeiramente o local ajudou muito,  que foi na Ciudad de las artes y de las ciências. Ganhamos cupons para sorteio de 1  notebook. Todos ganharam apenas 1. Eu e o Felipe ganhamos 5, cada um. Ficamos tirando um sarrinho com a cara do pessoal... mas nem com os 5 cupons, os nossos números chegaram perto dos sorteados. Eu queria ir para a arquibancada, mas eu e o Fe acabamos pegando uma entrada errada. Pedimos informações e nos mandaram ir para um local, o qual imaginei que desse nas arquibancadas. Tinham recepcionistas e elas perguntaram meu nome, uma outra olhou para mim e disse para entrar que não precisava do nome. Entramos. Chegando lá, era uma festa vip. Só os grandões do evento podiam participar. Tinha canapés, e bebidas em taças. Eu dei meia volta e saí de fininho. Não fazia parte daquele aquário de peixes graúdos. O pessoal do grupo de brasileiros, quando me viu saindo da festa ficou ouriçado querendo entrar na festa vip e eu disse: - Vá! Acho que pode!!! Eles foram, mas logo foram barrados. Eu dava risada. A partir daí ficávamos só vendo os micos do povo querendo entrar e não conseguindo. Só eu era vip ali... rs... é claro que foi um engano da recepcionista, né?
Voltando ao show... como sou bem chegadinha joguinhos de pc, gostei muito da trilha sonora. Começou com jogos antigos. Na hora do Mario, a galera vibrou. Acho que todos já jogaram Mario uma vez na vida. Tinha Invaders, Frogger. Na hora do Frogger, chamaram alguém da platéia. Ele teve que jogar o frogger. Era um espanhol de Tenerif. Ele atravessou o sapinho até o outro lado da margem e ganhou um notebook de ultima geração. A partir daí a espanholada só gritava TENERIF. E esta palavra virou grito de guerra. E a orquestra foi evoluindo, tocando temas da atualidade. E passava o jogo no Telão. Foi tudo muito lindo. Fui dormir bem tarde na segunda.

Na terça, pela manhã, acordei disposta para participar do Evento Campus Party. Eu me inscrevi no Campus Crea. Mas precisava de um computador. Tentei alugar um, mas não consegui. Por fim, consegui negociar com a Magali o notebook dela, já que ela não estava muito a fim de ficar no evento.
Neste dia fiquei perto dos meninos do Somos Nozes. Conheci o presidente da Telefônica na Espanha que nos tratou muito bem. Baixei o photoshop para o notebook da Magali, enquanto isso participei um pouquinho da primeira palestra de photoshop. O duro é que era em espanhol e acabei ficando meio perdida.  Fiquei blogando um pouco, dei uma entrevista para uma mulher de alguma revista espanhola. Baixei fotos. Visitei stands.  O Felipe também não parou quieto. Vivia para lá e para cá no Campus. O local predileto dele era a sala de Ócio, onde tinha muita competição, exposição, games e outras atividades. Neste dia, não saímos do Campus. Batemos fotos das CPUS mais exóticas do Campus. Conversei com um espanhol que tinha uma colméia CPU. Tinha abelhas fazendo mel lá dentro. Era interessante ver cada um em sua praia. Uns baixando jogos, filmes, músicas, outros jogando, outros competindo, outros simplesmente navegando. Tinha de tudo ali: hackers, nerds, desenvolvedores, viciados em joguinhos, e eu, que fiquei observando onde cada aportava. Senti-me me meio matusalém ali naquele espaço predominantemente jovem e masculino, em meio a uma conexão rapidinha onde um download de um arquivo de 600Mb, era feito em menos de 4 minutos. Quase nem vi hora passar e quando dei por mim, já era quase 1 hora da manhã. Nessa hora a espanholada ficava tudo ouriçada. Colocava umas sirenes, tinha uns gritos de guerra e era a hora da festa mesmo. Eu que já tava pra lá de Bagdá, fui pra minha barraca dormir.
No outro dia, de manhazinha, a brasileirada estava reclamando da bagunça dos espanhóis, mas eu nem vi foi nada... desmaiei na minha barraquinha com meu colchãozinho de ar. Só sei que, pela manhã,  ao passar em meio aquele mar de barracas para ir ao banheiro só ouvia roncos, ronco é ronco, em qualquer nacionalidade. Era interessante que a gente acordava, mas o campuseiros espanhois não. Acho que eles acordavam só lá pelo meio dia.



Torrando uns euros

Conforme havia combinado com o Felipe, na quarta-feira  iríamos passear. O pessoal tinha indicado o Oceanógrafo. Então lá fomos nós. Pegamos o circular até o centro e do centro pegamos outro circular até o local. Chegamos a Ciudad de Las Artes y de las Ciências. É imensa. O Oceanógrafo ficava bem lá pra frente. Andamos muito. Estava cansada e com fome. Do outro lado da rua avistei um Shopping que tinha um Carrefour. Sugeri ao Felipe que passássemos lá um pouquinho. Tinha um Mac Donalds. Era mais de 1 hora da tarde. Decidimos comer um lanchinho. Além do tradicional Big Mac tinha um tal lanche grego. Pedi um. Nooossa... que delicia... nham nham... Quero mais. Pena que o Mac não tenha esse lanche no Brasil. De barriguinha cheia fomos dar uma volta no Shopping e acabamos entrando no Carrefour. Decidimos comprar alguns presentinhos pro pessoal de casa no Carrefour, já que eu achei que as lojas do centro eram muito caras. Comprei azeite pra mãe, e outras coisas que percebi que não tinha no Brasil, mas bem  pouca coisa mesmo, porque meu bolsinho é real. Estava cansada de tanto andar. Então optei em voltar outro dia no oceanógrafo, já que estava cansada e com sacolinhas. Pegamos o ônibus e descemos no centro para tomar a condução até o campus party... mas senti uma vontade de passar na Fenac para ver notebooks. Foi uma dificuldade para descobrir onde era essa tal Fenac sem o endereço, já que a pronuncia deles não é Fenac, mas outra coisa. Ninguém entendia o que queria dizer. Enfim cheguei lá. Achei um notebook em oferta por 500 euros. Um Acer legalzinho. Não pensei duas vezes. Acabei comprando. E lá se foram meus eurinhos suados. Mas agora tinha um notebook para participar do evento.
Voltei para o Campus Party cheia de sacolas. Era noite. Jantamos. E eu fui testar meu notebook. Que fofo! Ele funcionou direitinho. Todo em espanhol com windows vista.

Agora com computador ficou tudo mais fácil. Instalei o notebook perto da Ana e da Lucy. Ainda continuei no Campus Crea, mas acabei não participando das palestras, pois estava meio perdida. Já que era mais voltada para a galera de design. Teve gente que fez trabalhos bem legais, concorrendo prêmios. Mas era muita areia pro meu pobre conhecimento brasileiro. Continuei com o blogar, anotando uma coisa, pesquisando outra, papeando com o pessoal de casa pelo skype e  navegando bastante. O Felipe estava meio entediado nesta quinta feira, já que não estavam permitindo que ficasse circulando nos Campus por ser menor de idade. Ele deveria ficar comigo. Eu tentei emancipa-lo através de uma autorização a próprio punho, mas não quiseram aceitar. Eu tentei argumentar falando que ele não era uma criança de 7 anos, mas já tinha 13. E que em  restaurantes, passeios, inclusive oceanógrafo, o ingresso dele era cobrado como adulto, então, nada mais justo, emancipa-lo, conforme clausula que tinha lido no contrato do Campus sobre menores emancipados autorizados por seus pais. Mas não teve acordo. Como meu espanhol é bem ruizinho acabei deixando para lá e decidi sair com ele depois do almoço. Pegamos o tranvia e fomos ao museu nacional. Por fora dava impressão que era pequeno, mas por dentro era imenso. Já estava com meu pé doendo de tanto andar. No começo comecei a ver as obras, os detalhes, as técnicas... mas no final, já estava querendo ir embora. Chegamos de noitinha. Jantamos, navegamos mais um pouco para não perder o costume e fomos dormir.




Do antigo(Sagunt)  ao novo (le Oceanografic)
 


Na sexta-feira, acordamos cedo, tomamos café e fomos para Sagunt. Fomos visitar um castelo. Desta vez tínhamos que tomar o circular e o trem. Ainda bem que nesta estação tinha guichês com pessoas que vendiam bilhetes. É tão bom o contato humano (rsrsr). Mas novamente não tinha catraca, não tinha nem maquininha para validar o bilhete. Mesmo assim comprei o meu: ida e  volta. Chegando em Sagunt, logo avistamos no alto do morro o Castelo. E assim fomos, caminhando até lá, escalando aquela montanha. No pé da montanha tinha um teatro, tipo o Coliseu. Estava em reforma. Foi muito legal ver o novo e o antigo juntos. Continuamos a caminhada, e chegamos ao Castelo. Imenso. Andamos muito entre suas ruínas. Não sabia que um castelo era tão grande... Na verdade, imenso. Fui na parte mais alta dele. Suava mais do que tudo. Devia estar uns 40º.  Avistei a torre de vigia. E de lá tive uma visão panorâmica da cidade. Fiquei imaginando as guerras, como foi destruída aquela imensa fortaleza. Depois de muito explorar, descemos e visitamos um museu com alguns objetos que pertenceram àquele castelo. Almoçamos em Sagunt, num pequeno restaurante. Comi paella de frutos do mar. Estava gostosa. Na hora da sobremesa foi uma piada. Não sabia o que pedir, então pedi um tal pastel de yogurt com calda de limão. Na verdade era um pudim de leite com calda de limão. Já o Felipe pediu para descrever o que era sandia. A garçonete disse que era tipo um melón rojo com casca escura. Imaginamos uma fruta exótica. E lá veio a brasileiríssima melancia.
Pegamos o trem. Pela primeira vez apareceu alguém para fiscalizar as passagens. Tinha dois sujeitos que não tinha e desceram do trem rapidinho, depois do fiscal lhe passar o maior sabão. Descobri que na Espanha tem os “espertinhos”... era isso que temia.
De lá fomos ao oceanógrafo. Noooossa... o lugar é muito lindo. São vários prédios projetados para abrigar com aquários gigantes de acordo com o seu habitat. O da Antártida é um Iglu gigante. É uma coisa de encher os olhos ver os peixes nadando bem próximos da gente. Ver um tubarão passar em cima da sua cabeça. Ver águas vivas tão brancas que parecem vestidos de noiva. Deus é tremendo em criar tudo tão perfeito.
E depois de tudo isso fomos ver o show dos golfinhos. Estes são lindos inteligentes e espertos demais. Senti-me na Flórida vendo tal Show (ops... eu nunca fui à Florida).
Retornamos para casa, ops... Campus Party. Ficávamos felizes em voltar. Tomar um banho e dar uma subida para jantar ou uma bela internetada.


Está chegando a hora de de ir...


 À noite as malas deverão estar prontas. Tomamos o café pela manhã e decidimos fazer um pequeno passeio até a praia. Tomamos o tranvia e fomos até a Malvarrosa. O Felipe brincou na água, eu apenas curti a areia, ouvindo MP3. Curti o finalzinho da minha viagem, olhando para aquele marzão imenso com o coração agradecido a Deus.  Passeamos beira mar, pisando as areias do mediterrâneo, tão parecida com as brasileiras. Chegamos até perto de um Porto e retornamos. Descobrimos a mina de ouro. Barraquinhas de camelô. (É claro que bem diferente do Brasil – bem organizadas e todas padrões e em único lugar) Ai... que maravilha. Pudemos comprar mais lembrancinhas por preços mais módicos. Voltamos para o Campus, e almoçamos por lá. À tarde passei no Campus Crea, e naveguei mais  um pouco. Brinquei no Mindball com o Felipe, ou seja, sentamos frente a frente diante de uma mesa, com uma faixa colocada na cabeça para captar as ondas cerebrais que controlam uma bola. O  mais relaxado conseguia  mover a esfera e vencer a disputa. O Felipe ganhou rapidinho. Eu tentei fazer força com a mente e me ferrei. Brinquei também no VirtuSphere uma esfera que gira à medida que a gente caminha no seu interior. Com uso de joysticks e óculos  tentei matar os ETS que dominavam a terra. Sinistro...rsrs...Navegamos, conversamos com as nossas amiguinhas Lucy e Ana. E assim foi a nossa tarde. Jantamos e foi a hora de arrumar as malas. O Felipe levou as roupas dele para lavar com o pessoal do MSN (era tipo uma lavanderia que tinha lá). Eu nem me toquei. Se soubesse tinha levado as minhas, mas não dava mais tempo. Ele arrumou a mala dele e não levou trouxe nenhuma peça de roupa suja. Em compensação eu, a mãe, estava lá, desesperada tentando fazer caber as coisas. O grupo que estava conosco tirou o maior sarro, da mãe desorganizada e do filho hiper organizado e prestativo. Na verdade, o Felipe foi o mascotinho do grupo. Fez amizade com todos ali.

Pior que depois de tanto trabalho, tivemos que abrir nossas malas pro pessoal do Campus Party ver, porque o evento ainda não tinha sido encerrado e por questões de segurança, eles sempre revistavam mochilas para ver se não estava saindo nenhum computador indevidamente.

Mas... acabou-se o que era doce... Pegamos o ônibus, retornamos para Madrid. De Madrid pegamos o avião e voltamos para o Brasil.

Eu sou grata a Deus que me deu este presente maravilhoso. Ele moveu a Telefônica em promover este concurso. E lá estava eu, em meio a esta moçada que está ligada a tecnologia. Eu penso que a internet, computadores e tecnologia serão fatores decisivos para a propagação do evangelho. No Campus Party estava Marcelo Tosatti, um dos idealizadores de 1 laptop por criança a 100 dólares, para crianças de paises mais pobres. Eu penso que num futuro todos terão computadores, acesso a internet e isto não vai demorar muito. Então precisamos estar preparados. Temos que avançar como Calebe e explorar o inexplorado.  Embora minha mente nem sempre consiga acompanhar os avanços tecnológicos eu vou tentando e pedindo a graça de Deus para me ajudar e tanto me ajudou que Ele mesmo me colocou neste evento.

Enfim... esta foi minha aventura.

Obrigada meu Jesus pelo presentão!

Obrigada campuseros brasileiros que estiveram conosco! Vocês foram muito legais!

Obrigada Telefônica por selecionar o meu trabalho!

 

 

 




 

 

 

 

 

 

 

 


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Eu confesso que tentei fazer um blog... mas não sinto a vontade para criar. Sinto-me numa camisa de força... rsrsrs... Prefiro criar páginas... por isso, criei esta  e estou colocando no meu site, PMG.

Quem quiser visitar meu blog, lá tá tem vários links de outros álbuns de amigos campuseros que estiveram conosco:

http://linolicando.blogspot.com/

 


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