Inauguração do IDIE

 

Não poderia perder por nada no mundo a inauguração do IDIE - Instituto para o Desenvolvimento e Inovação Educativa.
Lá estava eu, assistindo tudo, absorvendo detalhes. Afinal, a informática educativa é algo que é latente na minha vida e que luto com unhas e dentes para ela tenha seu devido valor.
Recentemente encontrei com uma amiga no mercado e comentando sobre escolas e alunos (professor não sabe falar de outra coisa - rsrs). Ela me disse: - A diretora de um determinado colégio fechou o laboratório de informática. E era uma escola particular. Então pensei: - É por isso que sempre que tentava agendar uma visita em outros laboratórios de informática, as pessoas tinham alguma desculpa esfarrapada e quando encontrava com ex-alunos meus que iam para outras escolas (normalmente escolas particulares) e perguntava sobre informática a resposta era quase sempre a mesma: - ah... aqui na escola não tem informática, ou, fui no laboratório umas 3 vezes no bimestre, ou semestre ou ano. É muito diferente das suas aulas.
Sempre imaginava. Como será que é o uso das TICs em outras escolas? E na escola pública? como será? Foi aí a professora Maria Helena G. de Castro que compunha a mesa na Inauguração do IDIE disse que 80% das escolas públicas possuem computadores, mas não há conectividade. Citou a questão técnica, de manutenção, etc. Tem escola que tem muitos computadores, mas estão lacrados, na caixa.
Quase eu ajoelhei aos seus pés e pedi alguns para minha escola, pois só tenho 15 computadores e tem algumas classes com mais de 30 alunos. É claro que a nossa conectividade não é uma belezura, mas funciona. Trabalhamos também a questão da paciência com os alunos (rsrs), mas eles conseguem produzir muito bem seus trabalhos e saem dali semanalmente felizes da vida. E muitos deles querem até mais uma aula na semana.
Ouvi ainda Antonio Carlos Valente falar de um lindo presente que ganhou. Um livro que falava sobre Inés de Suáres. Amante por literatura, logo me interessei. Ele disse que foi fazer uma busca sobre a vida de Inés de Suáres e acabou caindo no Wikipedia em espanhol, pois aqui no Brasil não tinha muita coisa. Isso chamou imensamente minha atenção, pois constantemente tenho me deparado com essa deficiência. Muitas das minhas buscas são feitas em inglês ou espanhol, pois consigo uma gama muito maior de material. Então percebi que a dificuldade não era só minha, outros já constatarem isso. Embora eu já tenha mencionado isso no post anterior.
Edith Litwin foi brilhante e com muita sabedoria falou sobre um trabalho colaborativo como uma forma de enriquecer o pensamento. Eu concordo plenamente, embora espero que quando mencionem sobre trabalho colaborativo não fiquem limitados apenas a blogs que estão limitados a internet, mas afete a sociedade, a família também.
Embora ela tenha criticado a questão de ilustrar reduzindo um pouco a questão do aprendizado. Nessa questão, devemos ser prudentes. A ilustração ajuda em muito e instiga, conforme menciono no parágrafo a seguir. É claro que tudo depende de como ministramos o nosso conteúdo.
Alguém na plateia falou sobre a questão dos professores terem um datashow para as aulas em substituição aos laboratórios e logo foi podada esta sugestão, dizendo que ninguém teria paciência para ver um power point enorme. E eu concordo totalmente se for visto desse ponto de vista. É cansativo demais. E, claro, jamais deveríamos substituir o laboratório de informática, mas penso que esta sugestão não deveria ser prontamente descartada, pois seria de grande utilidade para o professor a utilização de mídias em suas aulas. Seria o que eu chamo de pishing, ou isca, para trazer o aluno para a aula. É claro, que nada de pps monstruosos, mas mídias, pequenos filmes engraçados, charges, de onde extrairiam lições e linkariam com a aula em questão. Inclusive estou até com um projeto de criar uma biblioteca virtual com estas mídias lá na escola onde leciono, só falta mesmo tempo. Adolescentes amam estas coisas, então é uma forma de trazê-los para as aulas.
O que deveria ser o ponto alto, acabou ficando meio obscuro, que era o Projeto UCA (um laptop por aluno). Faz muito tempo desejo saber como está a implantação destes laptops, mas até agora não consegui detectar depoimentos, ou melhor, resultados paupáveis deste projeto. A preletora ficou atrelada a habilidades e competências e acabou não falando muito coisa sobre o projeto UCA e logo o tempo se esgotou. Enfim, gostaria de saber do projeto na prática se gera o individualismo ou uma interface para interagir?
Vou relatar algo que aconteceu comigo na semana passada. Estava ministrando as aulas de informática para um grupo de alunos do 1º ano (em torno de 6 anos). Cabe lembrar que para grupos dessa idade eu divido a aula em duas partes: 1) Eu faço uma meia roda e uso apenas um computador para mostrar um CD, contar uma história, ensinar um determinado comando, etc. 2) Os alunos são encaminhados para o computador para fazerem uma determinada atividade (individual ou dupla). Mas... nessa primeira parte, eu havia levado um CD educativo, onde numa das fases, tinha um saco de letras maiúsculas e minúsculas para serem arrastadas; como eu queria ensinar maiúsculas e minúsculas no computador, achei que o CD me ajudaria. Um aluninho, em sua curiosidade infantil, viu o CD na minha mão e disse: - Eu tenho esse CD em casa e é muiiiiiiiito chato. Eu respondi: - Se você não gosta, não tem problema, em outro dia, quando eu trouxer outro que você goste eu te chamo. Na verdade, até achei bom, pois gosto de chamar o grupo inteiro, senão a aula fica muito cansativa. Mas, quando ele viu o grupo interagindo, ele disse: - Professora! Agora eu gosto desse CD. Deixa eu ir? É claro que a classe inteira teve que participar da atividade. Todos gostaram. Porque será? Eu concordo com o aluno. O CD é muito chato para brincar sozinho em casa ou de forma individualizada sem nenhuma condução, com aquela "vozinha" enjoada dizendo: Parabéns! Você acertou ou errou! Eu acho entediante. Mas quando se trabalha em grupo você instiga-os, motiva-os como se estivessem numa missão hiper especial e isso é atrativo. É o lúdico em ação é a criatividade que sai de suas cabecinhas. É claro, depois eles tem uma atividade especial para fazer individualmente, mas até aí o grupo foi motivado. É interessante que por mais rico que seja o CD, quando empresto para brincarem nos seus computadores eles logo se cansam, perdeu o mistério, o encanto. Isto eu chamo de humanização das aulas, onde o professor os conduz a criar.
Tudo no mundo, inclusive tecnologia nasceu de um sonho, de uma mente que ousou a criar, então penso que o laboratório de informática seja o lugar mais propício para isso.

 

Lina Linólica - Aurelina Silveira Ramos

Posted by linolica on March 17, 2008 at 10:04

 


Índice Artigos                        Estante Virtual                    Página Inicial