SIMÃO, DORMES?

 

Essa frase ecoou naquele jardim e hoje ecoa no meu coração. Lina, dormes?

 Naquele dia, tanta coisa aconteceu naquele jardim. O jardim do Getsêmane. Três anos se passaram, eles estavam acostumados a estar ali, naquele jardim. Era o lugar onde o mestre Jesus costumava orar.

 Fiquei pensando nas pessoas que passaram naquele jardim, naquela noite:

 Judas. É... Judas também conhecia aquele jardim – reduto de oração.  Tantas vezes, estivera ali, na presença de Jesus, mas ele não conseguiu distinguir realmente o filho de Deus, apenas o filho do carpinteiro. Era mais seguro estar na presença dos religiosos da sua época, afinal de contas, eles eram os seus líderes e eles tinham o domínio das escrituras.  Os ensinamentos de Jesus ainda não tinham entrado em seu coração e por isso preferiu ir até os religiosos fazer a sua aliança.

 Os discípulos. É...  Após uma ceia, o que mais queriam era dormir. Era tarde, orar de barriga cheia dá sono e eles estavam apáticos, tristes... O mestre Jesus não estava bem, estava agoniado. Eles não estavam entendendo direito o que acontecia, estavam com muito sono. Só isso.

 Jesus – É... Noite decisiva. Noite de entrega. Precisava de se fortalecer em Deus, sabia bem que o Pai não o desampararia. Ora com intensidade.

Gotas de suor caem de seu gosto.

Gotas de sangue por causa da sua aflição.

Esse é meu Jesus. Momento precioso... mas ninguém conseguiu identificar naquele momento.

 Anjos consolam a Jesus – O Pai, do céu, vê o jardim. Vê seu Filho em amor e obediência se entregando por causa  dos pecados da humanidade. O Pai concede-lhe a vitória, o Pai envia-lhe anjos que o consolem.

 Uma multidão chega... Esse povo não dorme nunca? Quem é essa multidão? Oficiais do templo, sacerdotes, anciões, serviçais... Eram homens que conheciam as escrituras, mas não reconheceram a Jesus.

 Simão, dormes?

 Eu fiquei pensando nessas palavras. Jesus contava com eles. Eles dormiam.

Eu me coloquei nesse lugar.

Quantas vezes eu durmo...

Durmo postergando aquilo que Jesus pediu para eu fazer, perdendo o tempo precioso com outras coisas.

Durmo o sono da tristeza.

Quando eu durmo, a igreja adormece, porque faço parte da igreja  - do corpo de Jesus.

Daí, quando Simão acorda... acorda sobressaltado... e sai cortando a primeira orelha que vê pela frente.

É... mas a ordem de Jesus era para orar, ser vigilante. Era hora de parar e receber de Deus a força e não sair cortando orelhas por ai...

É muito fácil querer fazer a nossa vontade. Tenho lutado para não agir pela minha vontade, mas muitas vezes aparece alguma orelha pela frente e a gente sai cortando...

Fico imaginando, aquelas gotas de suor e sangue naquele lugar. Ele deixou ali um pouco de si. A sua entrega começou ali, naquele jardim.  Momentos de aflição, mas momentos de consolo do Pai.

Nesse domingo de 2002, enquanto a chuva cai, olho para minha goiabeira verdejante e contemplo o Getsêmane. Tanta gente passou por ali, mas não valorizou aquele momento. Não viram as gotas de suor e sangue que Jesus ali deixou. Naquele dia ninguém percebeu... mas hoje... eu percebi... e pedi perdão para Deus. Na nossa vida cristã a gente pode facilmente perder a visão e acabar não identificando mais o sangue de Jesus tão precioso que foi derramado inicialmente naquele jardim, vindo a ser derramado por completo no Gólgota.  Simplesmente dormimos, por isso, orei clamando. SENHOR, SARA A MINHA TERRA. SARA A  TUA IGREJA, SARA A MINHA VIDA. QUE VENHAMOS VER A SUA PRECIOSIDADE. JESUS!!!! TU ÉS PRECIOSO DEMAIS. NÃO QUERO FICAR DORMINDO,  QUERO SER BENÇÃO PARA MEUS IRMÃOS,  POR ISSO QUERO FAZER AQUILO QUE LHE AGRADA. ESSA É MINHA ORAÇÃO DE HOJE.

 

 


 

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